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sábado, 17 de outubro de 2015

Janelas com ideias


  Pela minha leitura inicial, pensei em algo dadaísta que não precisa ter um sentido claro e objetivo. Vale mais pelo estranhamento e confusão que cria na cabeça de quem vê essas palavras gravadas num edifício. Mas elas foram gravadas em um edifício em algum lugar, ou ele é uma invenção? Ou o edifício é real e as palavras foram feitas por algum programa de computador que permite escrever em cima de uma fotografia?
  Logo um possível  significado objetivo ficou claro – para não dizer: obvio.
 As palavras substituem o que seria um outdoor. Um outdoor bem comum de se encontrar em grandes centros de concreto e propaganda de tudo que se pode imaginar - Se pudesse o capitalista venderia a própria mãe. Colocaria ações da própria mãe na bolsa de valores de Nova York para alguém comprar e ter parte dos direitos do outro como filho da mãe do outro - Mas voltando ao tema...
  A principio são palavras em inglês que  não sei o sentido porque eu não falo inglês. Mas aí vou buscar o sentido e vejo o que significa: Foto de uma menina branca magro. O tradutor Google traduziu skinny para magro e não magra. O que imagino que não exista diferenciação de gênero para essa palavra no inglês.
  Poderia ser: foto de uma menina magra como manequim de carne para fazer propaganda de alguma roupa que se queira vender. Mas essas meninas são tão belas (dentro de um padrão determinado de beleza), que até se esquece que elas são de carne e osso e que, por isso mesmo, possuem uma serie de dilemas humanos.
  Então concluímos que é uma fotografia política (de critica a sociedade do consumo que transforma tudo em mercadoria) e dizer em palavras pode levar as pessoas a todas essas questões que a banalidade do outdoor não levaria as pessoas a pensarem (não por ser outdoor, não por ser palavra. Mas pela troca de um modo comum por outro incomum no tema em que se faz a troca)?
   Na verdade o sentido que eu acho mais interessante nessa foto é o existencialista. Eu não vejo a palavra substituindo a foto. Eu vejo a ideia sobre a foto. A ideia sobre a ideia de uma foto que pode nem ser uma foto, mas sim uma construção de minha cabeça. Mas mesmo que não tenha nada a ver com o que eu digo; o trabalho me provocou pensamentos que me levaram a mil questões humanas.
  Penso na quantidade de mocinhas que agora estão indo a escola, ou dormindo, ou com o namorado, ou trabalhando, que gostariam de ser essa moça magra branca da foto?
   Penso na frivolidade delas. Penso na frivolidade humana. Penso nas muitas histórias e caminhos que isso tudo leva. Penso na beleza dessas histórias. Não tem jeito. Tudo me leva a histórias. (risos).
  Só que quando as pessoas pensam em história, elas pensam num texto. Elas não entendem que o texto é um modo, e que uma história pode se contar de muitos modos. A história não é o modo. Ela é algo muito mais essencial. O modo é a forma como o artista busca narrar a história ou captar um determinado momento poético de uma história.
  Essa foto capta uma questão política, uma questão existencialista e uma questão semântica.





2 -





Quando eu vi essa foto, eu nem imaginei que fosse uma colagem de fotos. Eu tinha pensado que era uma pintura. O que pode levar a pergunta: A fotografia não é também uma pintura - mas com a diferença de que ao invés de pinceis, o pintor usa a câmera fotográfica - que seria aí um novo tipo de pincel que foi inventado?
  Se isso não vale para toda a fotografia; penso que vale sim para essa.
  Ela é uma pintura com a câmera fotográfica em que a tinta já está composta em partes que são postas formando a imagem através de colagens.
  STOP, Pare! Pare e olhe.
  Exige a atenção para descobrirmos em nós um significado maior que a imagem pode ativar ou não.
  Eu me lembro do vários filmes estadunisiense que eu vi e se passam nesses desertos com cactos e uma pista que segue e se perde de vista. As placas de outro lugar provocam um estranhamento, e talvez essa imagem não seja capaz de atrair por uma identidade que as pessoas costumam buscar no objeto de arte (geralmente as pessoas se interessam por algo com o qual elas se identificam). Mas não é verdade. Também podemos gostar de algo completamente diferente da gente (ou mais ou menos diferente?).
  E esse céu? Me lembra mais as águas luminosas de um oceano em uma pintura do que um céu de um deserto, propriamente.
  No final do horizonte o azul do céu marinho se confunde com uma paisagem distante que não é mais céu; mas também é azul.
  Por que quê eu escolhi essa imagem?
 Porque tinha que escolher uma foto e escrever algo sobre ela. Porque não me senti seduzido pelas outras fotos, a não ser a primeira da escadaria e do ciclista. Porque vejo - agora que me coloquei a analisar ela - que essa colagem me da a sensação de mais uma forma de ilustrar do que de fotografar, e isso me interessa muito - tanto que sou desenhista.
  Podem dizer que escolhi então por uma razão pessoal - mas que escolha não é uma escolha pessoal em arte? - Isso é arte - O que é arte?
  Se eu continuar eu vou escrever texto longuíssimo. Então vou parar aqui meu livre pensamento ativado pela imagem em resultado com o momento e comigo próprio.
  (Isso pode parecer confuso, mas porque eu não posso ser confuso?)



  3 -


    
  Uma moça em um lugar está caminhando diante de webcam, que capta os movimentos dela e cenas serão cortadas dessa ação para compor um trabalho fotográfico. É interessante porque a gente percebe que a fotografia tem outras possibilidades do que, simplismente, um cara que para e tirar uma fotografia. E percebendo isso percebo o quanto essa atividade e analise dela pode ser interessante.
  Muita coisa pode ser interessante dependendo da forma que a  gente faz. Acho que  deveríamos estar sempre buscando descobrir coisas diferentes. Buscar coisas diferentes ao invés de se alienar a uma coisa só.
   Uma moça diante de uma parede bege com uma porta - derrepenti pode ser um guarda roupa - E ela está diante da webcam que se encontra no meio e do outro lado a kilometros de distância está o fotografo. Vejo as posições ocupadas em pontos geográficos de cada personagem; e a posição que eu ocupo em meu quarto no bairro Jardim América cuja as ruas tem cada qual um nome de um país (a que eu moro é a rua Equador).
   Estando em posições diferentes, em pontos diferentes,  somos conectados por essa imagem fotográfica.
  Então coloquemos mais uma coisa na lista grande de papéis da fotografia que já disse no texto anterior. Essa coisa a mais é: conectar  pessoas localizadas em pontos diferentes. Aliás, esse vai ser o titulo do texto -
          Conectar pessoas localizadas em pontos  diferentes
  Como eu tive a ideia de dar um titulo a esse texto e a ideia surgiu no meio do texto, então o titulo fica no meio do texto.
  Conectar para que? Para ver. Só para ver? Não para ver. Para dizer. Dizer o que? Dizer que existe pelo menos um ser humano (entre bilhões) que tem algo a te dizer, sendo que, ela diz nas cenas, ele diz nas escolhas e recortes fotográficos que ele faz nas cenas, eu digo nessa interpretação minha. Interpretação que pode não ter nada a ver, mas é algo que está sendo dito. E a professora também ao escolhe essa foto ela também participa dessa conexão e diz algo.
  E se a foto não for apenas uma foto? E se por exemplo, a personagem sair da foto e pudermos olhar a cena sem a personagem? E a personagem sentada do nosso lado desse o seu ponto de vista para gente? E nós entrarmos dentro da foto e fumarmos um cigarro?
 Mas não daria certo porque eu não sei fumar. Eu me engasgo com a fumaça.
  HAHAHAHAHA...

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