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terça-feira, 4 de novembro de 2014

A razão nem sempre tem razão

  Isso significa que uns dois ou três leem o meus artigos. hahahaha.. Um dia (se eu não morrer antes) ficarei famosos como mestre da arte em quadrinhos e terei mais leitores. Mas isso é mesmo importante? Nada. O que importa é qualidade dos leitores, e não quantidade. Você, sem dúvidas, é um leitor de qualidade, Elvis.
  Respondendo sua interrogação sobre a sobreobjetividade: Essa ideia - como todas as boas ideias - é expressão de determinadas percepções intuitivas. O conceito sobreobjetividade deriva de algo sintomático em mim. Não tenho nada contra a objetividade, nem contra a subjetividade. Por que eu deveria entrar para uma torcida da subjetividade ou na da rival, a objetividade? [risos]. Para ter uma atitude subjetiva, não precisa ser artista, ou mago, ou qualquer uma outra sandice... Basta ser humano. Quanto a negação da objetividade - na tentação de algo que ultrapassa ela -  não porque fazer isso, já que não tenho nada contra a objetividade. Gosto das pessoas objetivas. Gosto das ciências objetivas (embora não tenha lá muito tempo para estuda-las), me considero um cara puta objetivo. Mas é claro que sofro a acusação de querer ordenar as coisas (hahahahaha...). Mas dizer que se esta ordenando algo por expor o pensamento sobre algo, como se não fosse correto ter opinião ou pontos vista sobre as coisas, isso me parece a ditadura medieval onde a razão era considerada algo nefasto. Prefiro a ideia de que a razão nem sempre tem razão. Então busco uma harmonia entre razão e sentimentos? Que raios de harmonia o que! Se tudo fosse harmônico e belo, o mundo seria de uma sengracisse gigantesca! Precisamos também de confusão. O leite tem que ser derramado! O prato tem que cair e se espatifar em cacos! Alguém tem chifrar alguém! Não fazemos a arte porque a vida é bela. A fazemos porque a vida é um saco. Precisamos da fome para querer matar ela produzindo algo. Se acaso não tivéssemos fome, não teríamos a coragem para subir nas arvores, para pegar a fruta, correndo o risco de cair. Precisamos correr risco. Se não sentimos sede, não buscaríamos o beijo de alguém para matar nossa sede. Não roubaríamos o beijo recusado e não levaríamos uma bofetada na cara. Precisamos da bofetada. Precisamos tomar uns tabefes e precisamos também dar uns tabefes - Lutar boxe.
  Stravinsk, grande compositor musical, deixou um monte de compositores musicais abismados ao dizer que: "a música não representa em NADA os sentimentos" Eu li isso, e logo que li morri de rir pensando na cara dos músicos e artistas sentimentaloides bravos com Stravinski. Me levantei alegre gritando como um torcedor fanático: Straviiinskiii!!! Straviiinskiii!!!! hahahaha... Isso foi um meio de iconoclastia de Straviski, para criticar a ditadura do coração e a burrice dos que sacralizam a arte, não entendendo que a arte é profana e que o grande valor dela é exatamente esse. A arte não é um produto dos deuses. Ela é humana. Isso é ser profano! Ser incompleto. Ser destrutivo. E nisso tentamos ir além disso, colocando nas coisas a mágica da nossa imaginação. Somos viajantes em busca de algo utópico, talvez impossível, mas que não desistimos de buscar - e se já tivéssemos encontrado, não haveria por que continuar a busca. A vida humana é uma epopeia que se deve a nossa imperfeição. Tudo que fazemos de errado ou de certo, se deve a nossa imperfeição.
  A ideia de sobreobjetividade não é algo novo. Isso é fenomenologia, Elvis. Não digo nada de novo. São as pessoas do meu tempo que são atrasadas. Os artistas são atrasados. Os filósofos são atrasados. Os políticos são atrasados. Todo mundo é atrasado. As pessoas estão na idade da pedra. Não sabem viver o tempo. Aproveitar as possibilidades que o tempo oferece.

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