Como falar da juventude sem falar de nossa particular juventude, ou de quando fomos ser jovens? Afinal, penso que, o que melhor sabemos dela é a experiência de ter vivido ela. Mas o que é ser jovem? Um ser inacabado que saiu da infância, mas ainda não tem maturidade suficiente para ser chamado de adulto? Lhe falta a experiência da vida adulta e as responsabilidades que vem com essa experiência? Ou, ao invés de uma idade, a juventude não seria um estado indomável, saltitante, com os hormônios a flor da pele e um tesão de viver?
O uso do termo jovem, fora de uma determinada idade, é conotativo, ou, metafórico. No senso comum, jovem é alguém que tem muito ainda do que aprender sobre o que o mundo pode lhe proporcionar, e precisa labutar (estudando ou trabalhando) para obter o que se deseja, e o que se necessita, respeitando as normas. Muitos educadores contemporâneos, além desse pensamento tradicional citado sobre as normas e etc, defendem a tese de que o jovem não é apenas alguém que tem muito a aprender, mas que pode muito nos ensinar. Sem dúvidas! Assim como também os idosos tem muito a nos ensinar. Assim como também as crianças tem muito a nos ensinar. Com todos é possível aprender coisas importantes. Só é preciso tomar cuidado para não cair num infantilismo derivado do valor exacerbado dado ao vigor da juventude. No caso, a incapacidade de ver o valor, por exemplo, na experiência dos idosos, que praticamente são abandonados pela sociedade; ou o fetichismo da juventude, onde pessoas passam a fazer intervenções cirúrgicas exageradas, para parecerem sempre sempre jovens.
O jovem, como pessoa mais ou menos entre os dezesseis e vinte e tantos anos, na sociedade contemporânea, vive crise de desemprego (pois falta a ele a experiência que as empresas exigem) e a crise dos efeitos de não ter dinheiro (já que não tem emprego) numa sociedade que é movida por dinheiro. Na tv, praticamente não há entretenimento para os jovens. A tv Cultura, por exemplo, tem boa parte de sua programação demasiada infantilizada. A noite passa o jornal para os adultos, e só depois das dez da noite (quando a maioria das pessoas estão dormindo), que eles colocam algo interessante e diferente. Na maior parte do dia, da maioria dos dias, o jovem é desprezado.
E o que há de entretenimento disponível para a população na maioria dos bairros do Brasil? Há teatros? Não. Há espaços esportivos? Não. Há bares? Sim. Há boca de fumos? Sim. É isso que os governos (municipal, estadual, federal) e a elite burguesa oferece para os jovens no Brasil. Quem pode pagar, tem as melhores condições. Mas quem pode pagar, são meia dúzia em duzentos.
Disso se conclui, que, muita gente quer parecer jovem; mas a juventude de verdade é uma idade difícil por inúmeros motivos. Não ficando na percepção bucólica; o jovem é um fodido..
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