Um meio sublime
O que é estética? É aquilo que vale não pelo fim. Estética são formas, entre outras formas, que nossos sentidos resolvem capturar, ou por ela são capturados, ou as constrói de diferentes modos possíveis. O que diferencia a estética das outras formas de expressão humana? É que a estética desperta em nós um interesse, ou uma atração, sendo um tipo de volúpia dos sentidos e do intelecto. Expressa na arte - expressão fundamentalmente estética - ela não tem a obrigatoriedade de nada. Nenhum fim. Quem diz que gosta, por exemplo, dos filmes que tem finais alegres, ou dos com finais tristes, penso eu que, são pessoas que não entendem nada de estética. A arte são retratos capturados ou feitos - que se trata de algo que se desloca para fora do temporal - Retrato, ou uma composição de retratos, arte não é fim; mas sempre meios sublimes retirados do cotidiano ou inventados. Não há fim na arte. Só há na vida. Não se gosta da arte porque se quer ganhar algo em troca. Se gosta porque se gosta.
Se ama ela, mesmo que acaso, saiamos perdedores. Se gosta porque ela é atraente; mesmo que seja feia e estranha, sua feiura é de uma beleza retumbante e inegualável; seu mistério é instigante, como nada a ele se compara; e sua simultaneidade de gravidade e leveza é como o toque dos dedos de uma deusa, que, visualmente parece nada provocar, mas que provoca grande tempestade no interior do sujeito tocado por ela.
Divertida, comovente, instigante; a atração estética pode ser comparada a de um alimento saboroso que desperta o nosso apetite, mesmo depois de já termos almoçado - ou comparada a beleza de uma donzela que faz até os santos virarem o rosto para verem as pernas, o colo, o rosto dela. Faz os santos bambearem nos seus púlpitos. Qualquer outro exemplo de coisa que apreende nossa alma.
Alma, consciência, eu, ser; usem a palavra que quiserem. Usei alma por escolha estética.
Divertida, comovente, instigante; a atração estética pode ser comparada a de um alimento saboroso que desperta o nosso apetite, mesmo depois de já termos almoçado - ou comparada a beleza de uma donzela que faz até os santos virarem o rosto para verem as pernas, o colo, o rosto dela. Faz os santos bambearem nos seus púlpitos. Qualquer outro exemplo de coisa que apreende nossa alma.
Alma, consciência, eu, ser; usem a palavra que quiserem. Usei alma por escolha estética.
Parece que tudo que é atraente foi inspirado na arte, e não arte foi inspirada no que é atraente. O belo que é cópia da arte.
Ela é sobreobjetiva
Ela é sobreobjetiva
Estética é um jogo de formas, ou um jogo linguístico que seduz nossos sentidos. O fundamento da arte e o fundamento do jogo são o mesmo. Eles fundam-se na força do lúdico. E de onde vem essa força? Vem de nossa percepção sobreobjetiva. Da percepção, intuição, sensação do buraco que existe entre nós e o que é meramente utilitário. A lacuna.
O sentido de sobreobjetividade, não confundam ele com o do subjetividade. Sub é interior, subterrâneo, de olhos fechados (para fora) e abertos para si. Importante olhar, no entanto, falta a esse os olhos de águia. A subjetividade é uma parte significante, mas a arte vai além dela. Na arte há harmonia e há desarmonia. Ela é a harmonia entre a harmonia e a desarmonia. Ou a confusão entre a desarmonia e a harmonia (depende do ponto vista). É relativo o que há mais, o que há menos. Em muitos casos, indescritível. A arte é sobreobjetiva. Ela é o antídoto da mistura de objetivo e subjetivo (assim como nós indivíduos). Uma vez misturada, ambas as essências, é impossível separa-las.
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