Quando penso em um grupo de artistas, conhecidos meus, me lembro dos artistas do tempo das cidades estados italianas renascentistas - tais como: Gênova, Florença, Veneza... - Estes que marcaram a saída da era das trevas (entendo que nem todos vejam o feudalismo desse modo; mas também não precisamos pensar igual. É melhor que não pensemos igual) e inicio de uma nova era - produziram uma arte magistral; foram brilhantes - E o que permitiu essa produção prolífica e de qualidade foi o desenvolvimento econômico criado pelo comércio praticado pelas cidades estados italianas. Isso aumentou a opulência dessas cidades e financiou as artes.
Aí vejo um determinado grupo de artistas propondo-se a produzir uma arte-não-produto (então ao invés de falarmos em produção artística, falaremos em nuvem artística?), como uma critica positiva da arte produto (Nesse caso, o artista não pode ficar delimitado a ter que produzir arte para ganhar dinheiro. O fazer arte é uma realização existencial, do espírito, como tal não é um produto, ou, não é um produto do capital).
A palavra produto trás um conjunto de complicações - pois produto, geralmente, lembra: coisa. Fazer de algo um produto poderá dizer: coisificação - ou objeto lembra objetividade (não-subjetividade); que também lembra matéria inerte, ou, natureza morta (que aliás também é arte). Mas os cérebro emocionalistas gritam: "A arte não é algo inerte!" ... Para tentar resolver o problema conceitualmente, vão alguns referir-se as artes e a filosofia como um: produto intelectual. Só que essa resolução acaba se saindo mais enfadonha e estranha do que o problema sem resolução (como uma coisa pode ser produto e intelectual ao mesmo tempo?! Não é o mesmo que dizer que excitação sexual e amor são uma mesma coisa?!). Claro que excitação sexual e o amor não são a mesma coisa. O problema não está em notar a diferença (ter essa percepção é ótimo). O problema está em fazer dessa diferença uma oposição obrigatória. Os séculos passam e o povo recai no dualismo que separa o sensível do intelectual. Separação, esta, que é ao mesmo tempo verdadeira (mostrando características diversas presentes num mesmo ser; realidades que coexistem) e falsa (porque o ser é um simultâneo ser e não-ser. Ao invés de dizer objetivo e subjetivo, dizemos: ser.)
Voltando ao tema. Meus caros amigos produzem o não-produto (seja lá que raios seja), o que na realidade querem dizer: uma arte que não seja produto do capital. Mas afinal o que foi que possibilitou isso? Resposta: O nível de desenvolvimento do capitalismo atual (agora vão atirar couves e tomates em mim [risos]).
O nível de desenvolvimento do capitalismo atual, possibilitou que esses artistas tenham um emprego assalariado e possam ter o luxo de produzir arte num período complementar ao trabalho. Se trata do luxo intelectual - nada contra - É um tipo de luxo bastante interessante; e nada como a luxúria para dar prazer a vida [risos]. Mas o efeito colateral, é que, a forma como é obtida esse luxo criou um intelectual completamente alienado, que considera-se um transgressor, mas que pouco sai do circulo trabalho-e-arte, e dar esse luxo a esse indivíduo é o mesmo que dar o osso para o cachorro - Assim domesticando-o, o bichinho chora menos e trabalha satisfeito com a ideia na cabeça: "Eu sou um artista! Eu sou transgressor!" ... Artista, talvez o seja. Transgressor, ... não.
Há a ideia de que a arte que atinge um grande público é um produto comercial, e a arte produzida para intelectuais - que são uma minoria se comparados aos não-intelectuais - é um não-produto, ou, um produto alternativo. Aí um capitalista qualquer, jocoso, diz: "Veja bem... eu sou um homem de gosto requintado. Por exemplo, essa poltrona que estou sentado, é de pelo de lhama de Machu Picchu, e bebo este vinho que esta entre os melhores vinhos portugueses, etc, etc... Isso é para poucos." Em economia existe uma coisa que se chama: nichos de mercado pequenos e nichos de mercado maior. Tanto os nichos pequenos, quanto os grandes, dão lucro para os proprietários do capital. Quando algum artista tem o raro privilégio de fazer arte (o que quer dizer fazer algo que ele goste de estar fazendo independente dos resultados) e consegue encontrar um público que goste do seu não-produto, que comprem ou aluguem esse não-produto (troquem nao-produto por produto). Mas não que toda troca faça parte necessariamente da economia (embora essa o faça). Por exemplo, a troca de afeto entre amigos, ou entre casais, não é uma troca do tipo: econômica. Pelo menos, as bocas que beijei ainda não me pediram dinheiro, ou alguma outra mercadoria em troca [risos].
Se o artista pode optar em trabalhar em outra coisa e fazer arte em paralelo ao trabalho, ou se o artista escolher fazer arte e ser vagabundo em paralelo a arte (ser vagabundo: dançar, ler todos os livros do mundo, transar, contemplar o ser supremo, etc), ele é completamente livre para escolher, seja uma opção linear, seja um caminho tortuoso (nesse sentido só existem erros e acertos pessoais). Eu, por exemplo, quero doar o valor menos o custo da produção da minha arte, para alguma entidade de assistência de saúde. Não que eu pense que seja errado doar para produção de novas artes (Muito pelo contrário. Essa decisão é pessoal é variável. Não há nenhuma verdade universal). Mas simplesmente porque eu quero não ficar nesse circulo arte-e-trabalho, trabalho-e-arte. A vida é muito mais que isso (embora não seja lá grande coisa). E se acontecer do artista precisar de grana para comprar arroz e feijão, queijo, mortadela, etc; isso entra como custo da produção artística. Afinal o artista precisa estar vivo para fazer arte (cadáveres não desenham histórias em quadrinhos, não escrevem livros, não fazem música, não pintam quadros, etc. A não são artistas espíritas. Mas isso já é muita maionese.)
Evidentemente, é um pouco menos complicado para o artista que além de ter talento, gosta da arte popular. Saindo desses reducionismo economicistas de uma arte comercial e uma arte intelectual; há expressões estéticas capazes de agradar gregos e troianos. A arte, desse modo, pode ser para muitos e ser para poucos ao mesmo tempo. A verdade sobre os artistas que olham com desdém para a arte popular, é que eles são uns completos ignorantes e o principal responsável pelo fracasso deles, são eles próprios. O que eles possuem de inteligência, eles possuem de falta de inteligência numa proporção ainda maior.
A arte torna-se um produto capitalista, mas o que faz a arte ser arte, não é ela como produto ou não-produto. Querem criticar o economicismo influenciando o que seja arte; só que paradoxalmente acabam caindo no próprio economicismo. Karl Marx, inteligentemente, disse ter preferência por Balzac como romancista, do que por Emile Zola (dois grandes romancistas, diga-se de passagem). Balzac foi um monarquista conservador. Emile Zola era socialista. Politicamente Marx estava mais próximo de Zola. Só que Marx simplesmente analisou a arte como manifestação estética, sem cair no moralismo dos que sacralizam a arte. Isso porque não se trata de um economicista. Se trata de um economista. Infelizmente muitos artistas de esquerda vivem a cair no economicismo da arte (se não fazem dela uma vadia do dinheiro, fazem dela uma vadia da moral.)
A arte grita e eles não ouvem. A arte grita: Parem de me putanizar!!!! Deixem-me ser livre!!!
Se o artista pode optar em trabalhar em outra coisa e fazer arte em paralelo ao trabalho, ou se o artista escolher fazer arte e ser vagabundo em paralelo a arte (ser vagabundo: dançar, ler todos os livros do mundo, transar, contemplar o ser supremo, etc), ele é completamente livre para escolher, seja uma opção linear, seja um caminho tortuoso (nesse sentido só existem erros e acertos pessoais). Eu, por exemplo, quero doar o valor menos o custo da produção da minha arte, para alguma entidade de assistência de saúde. Não que eu pense que seja errado doar para produção de novas artes (Muito pelo contrário. Essa decisão é pessoal é variável. Não há nenhuma verdade universal). Mas simplesmente porque eu quero não ficar nesse circulo arte-e-trabalho, trabalho-e-arte. A vida é muito mais que isso (embora não seja lá grande coisa). E se acontecer do artista precisar de grana para comprar arroz e feijão, queijo, mortadela, etc; isso entra como custo da produção artística. Afinal o artista precisa estar vivo para fazer arte (cadáveres não desenham histórias em quadrinhos, não escrevem livros, não fazem música, não pintam quadros, etc. A não são artistas espíritas. Mas isso já é muita maionese.)
Evidentemente, é um pouco menos complicado para o artista que além de ter talento, gosta da arte popular. Saindo desses reducionismo economicistas de uma arte comercial e uma arte intelectual; há expressões estéticas capazes de agradar gregos e troianos. A arte, desse modo, pode ser para muitos e ser para poucos ao mesmo tempo. A verdade sobre os artistas que olham com desdém para a arte popular, é que eles são uns completos ignorantes e o principal responsável pelo fracasso deles, são eles próprios. O que eles possuem de inteligência, eles possuem de falta de inteligência numa proporção ainda maior.
A arte torna-se um produto capitalista, mas o que faz a arte ser arte, não é ela como produto ou não-produto. Querem criticar o economicismo influenciando o que seja arte; só que paradoxalmente acabam caindo no próprio economicismo. Karl Marx, inteligentemente, disse ter preferência por Balzac como romancista, do que por Emile Zola (dois grandes romancistas, diga-se de passagem). Balzac foi um monarquista conservador. Emile Zola era socialista. Politicamente Marx estava mais próximo de Zola. Só que Marx simplesmente analisou a arte como manifestação estética, sem cair no moralismo dos que sacralizam a arte. Isso porque não se trata de um economicista. Se trata de um economista. Infelizmente muitos artistas de esquerda vivem a cair no economicismo da arte (se não fazem dela uma vadia do dinheiro, fazem dela uma vadia da moral.)
A arte grita e eles não ouvem. A arte grita: Parem de me putanizar!!!! Deixem-me ser livre!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário