As avaliações do poder costumam ser erradas ou induzir as pessoas ao erro, quando um tipo de poder, ou uma determinada forma que o poder se apresente, é apresentada ou entendida como o poder no seu sentido geral. Além do poder dos poderosos (das classes dominantes) manifesto nos sistema das estruturas da sociedade, existem também os micropoderes (cujo principal exemplo de micropoder é o: indivíduo), e existe as expressões do poder pequeno (exemplo: o conhecimento adquirido, etc). Mas uma questão que pode ser formulada, é: Diante do poder maior, o poder menor pode ser chamado de poder? Sim, dependendo da forma que ele for usado e da situação em que os indivíduos estiverem inseridos.
Dizer que o poder é um tipo de poder, assemelhasse a dizer que a água é apenas a água de uma lagoa no estado liquido. Há uma falta de percepção das águas que inundam as nuvens, oceanos, rios, depósitos subterrâneos, águas congeladas em geleiras e presente em corpos orgânicos como um dos elementos fundamentais. A mesma regra vale para o poder (ele não existe somente em uma lagoa, nem somente em uma forma). No entanto, nesse texto me refiro a uma forma do poder. No caso, o poder dos detentores do capital e o poder dos chefes ou administradores das estruturas sociais. Tentando resumir esses dois grupos; digo: o poder da burguesia e o poder da burocracia.
No interesse da manutenção do poder estabelecido, a burguesia e a burocracia se matam e se amam por ele. E qual o discurso do poder? Uma mistura de discurso técnico com discurso moral (do que deve ser feito segundo as regras técnicas e de acordo com a justiça e os ditames morais). Então temos três conceitos:
o discurso, a técnica e a moral. Mas em convergência em que sentido? Se tratando do discurso do poder, estão em convergência pela manutenção do poder, e nisso existe uma hierarquia entre os conceitos. O discurso encontra-se no topo da hierarquia. A técnica é a técnica do discurso. A moral é a moral conveniente ao interesse de quem faz o discurso, ou de quem encomenda e paga pelo discurso. Vamos exemplificar isso:
A grande mídia cumpre o papel de representar os interesses da burguesia. Nessa sua função, a mídia demoniza os políticos que são menos convenientes aos interesses de manutenção do poder da burguesia e de ampliação do poder da burguesia, enquanto sobre a corrupção dos outros, a mídia pouco diz ou nada diz. O que é isso? Falsa moral. Hoje, por exemplo, vemos a falsa moral da grande mídia ao buscar demonizar o partido dos trabalhadores, e nada falar sobre a privataria tucana, e pouco falar sobre os escândalos nas licitações do metrô em São Paulo. Louvável a critica a corrupção. Detestável a atitude dos que dizem se posicionar contra a falta da ética dos políticos, mas com a intenção de eleger outros que também tiveram atitudes eticamente lamentáveis, mas que a imprensa omite-se a fazer a critica deles, quando o faz, faz com timidez, enquanto dos outros faz com estardalhaço.
O discurso do poder dos burocratas não tem lá muita diferença com o discurso da burguesia. Mesmo porque boa parte da burocracia detentora do poder, também são burgueses, ou também representam os interesses de algum burguês. Mas se referindo simplesmente a burocracia, o que deve ser dito sobre ela, é que: a burocracia usa o discurso no sentido de manter os privilégios que os funcionários mais bem pagos do Estado possuem. É em nome da manutenção desses privilégios, ampliação deles, e manutenção do domínio da política feita pelas grandes máquinas partidárias, que o discurso é feito.
Então o que é o discurso do poder? O discurso do poder é o discurso onde a moral busca justificar o poder, ou é um engodo do poder (demagogia); e a técnica faz a correções e reformas que por ventura o poder considere necessárias, quando não se trata da técnica do próprio discurso (retórica).
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