1 -
Quando você disse que o Estado está em crise, ou encontra-se em processo de deterioração as suas políticas sociais, graças a seu vinculo com o capital ou as relações de capital; eu respondi: "Um Estado se deteriora não só pela relação com o capital, mas outras diversas razões, como o desabastecimento de alimentos, crises ambientais, guerras militares e econômicas, conflitos de diverso tipos com outras nações, etc." E citei muito brevemente a decadência de outros Estados na história política do mundo. Você respondeu dizendo que é preciso saber diferenciar os modelos de Estado de cada período histórico e eu concordo com você. O que eu quis dizer é: Se as relações com o capital fossem a única causa de crise da sociedade, então o mundo antes do advento do capitalismo, seria um mundo sem problemas, e as tentativas políticas de implantação do socialismo não teriam fracassado. Esse discurso que parece se concentrar apenas na crítica do capital, passa a impressão de que é só acabar com acumulação de capital, que tudo vai ficar bem. Para se propor uma melhor economia, ou um melhor modo econômico para os povos do mundo, é preciso entender bem todos os problemas da sociedade, e não só o principal problema atual, que é a reprodução do capital pelo capital.
Pode ser que você não concorde comigo. Mas o que eu quis dizer naquela fala, foi isso.
2 -
Primeiramente, antes de o capitalismo entrar em colapso, ou numa crise mais profunda e ampla que torne insuficiente suas possibilidades de reestruturação, ele antes vai ter que ter atingido o seu cume, ou o seu auge histórico.
Pode ser que você não concorde comigo. Mas o que eu quis dizer naquela fala, foi isso.
2 -
Primeiramente, antes de o capitalismo entrar em colapso, ou numa crise mais profunda e ampla que torne insuficiente suas possibilidades de reestruturação, ele antes vai ter que ter atingido o seu cume, ou o seu auge histórico.
Digo histórico porque entendo que o auge de um modelo econômico não quer dizer necessariamente o máximo que ele poderia atingir na sociedade; mas sim o máximo que ele atingiu antes do colapso, ou de seu declínio na sociedade. Nisso eu já faço a primeira refutação de que é preciso ficar esperando o capitalismo entrar em colapso, para aí buscar transformar a sociedade em um modelo político econômico social melhor. Mas seguindo no raciocínio... Quando o capitalismo atinge o seu cume - que eu não sei dizer exatamente quando, pois não sou vidente - isso não quer dizer que o capitalismo, de modelo econômico dominante, vai despencar como atingindo num golpe só. Da mesma forma que um organismo biológico não morre a partir do momento que atinge sua idade adulta, embora possa morrer antes disso, isso não quer dizer que ele morre no momento que fica adulto. No momento em que ele fica adulto, ele começa a envelhecer (a idade adulta é o seu auge). E em sua velhice, muitas vezes ele se torna mais duro do que na juventude (ou não). Umas pessoas se tornam mais flexíveis.
Perdão se essa metáfora do organismo humano em relação aos modelos econômicos não for das melhores. Mas penso que ela serve para iniciar a minha descrição sobre o processo histórico do capitalismo e de outros modelos econômicos.
Por certas eventualidades históricas, o capitalismo pode sim terminar antes sua idade "adulta" (se já não estiver em seu auge), como também pode sobreviver por décadas, e até séculos, num processo lento de envelhecimento. Porém, há uma diferença fundamental entre a economia capitalista e a metáfora aqui utilizada. O indivíduo, a partir do momento que envelhece, dificilmente vai se rejuvenescer, e novamente recuperar a vitalidade dos tempos de juventude. Já o capitalismo possui uma incrível capacidade de se transformar de acordo com as necessidades históricas e condições do momento. O capital se reinventa sabendo ser ao mesmo tempo religioso (em prol das religiões) e ateu (em nome do individualismo). É só considerar como as igrejas como meio de aglutinar, são utilizadas para levar seus seguidores ao consumo de determinadas mercadorias, que por sua vez são fontes que geram capital. Quanto ao ateísmo, não se esqueçamos do ateísmo de muitos neoliberais, que nisso fazem seu pretenso discurso de defesa das liberdades do indivíduo, e de que todo indivíduo pode ser feliz no mundo do capital (afinal, vender o ideal de felicidade é uma das principais mercadorias do capitalismo contemporâneo).
3 -
O capitalismo, uma vez que ele já fez pela sociedade em termos de melhorar e desenvolver a sociedade política e economicamente (pois quem estudou Marx sabe que o capitalismo, ou a revolução burguesa, são parte do processo revolucionário); ele passa a se manter na sociedade mais como um câncer do que como algo positivo a sociedade; e, evidentemente, ele precisa ser substituído.
Eu entendo que ficar esperando que o capitalismo chegue no seu estágio final (que é algo muito nebuloso, já que a gente não sabe sabe exatamente que momento será esse, ou está sendo esse), para aí substitui-lo por outro modelo melhor, é meio como ficar esperando uma doença tomar todo o corpo de um indivíduo, deixar o indivíduo quase morto, para aí resolver tratar o indivíduo. Aí já pode ser tarde demais.
Esse indivíduo doente que me refiro, não é o capitalismo. O indivíduo doente é a sociedade humana. O capitalismo é a estrutura que age sobre a sociedade, ou, a grosso modo, a doença.
Achar que o capitalismo vai terminar por si próprio, sem a ação política coletiva e também do indivíduo (pois o coletivo é uma junção de indivíduos, que cada um a seu tempo começa a tomar consciência de determinadas questões e paulatinamente esse entendimento espalha-se entre os indivíduos que por sua vez tornam-se um coletivo), é relegar a sociedade a uma decadência política econômica.
4 -
Um dos motivos pelos quais se torna evidente que a história não segue uma linha vertical em direção ao progresso, ou a linearidade determinista que os positivistas acreditavam, ou que uma parte da esquerda acreditava, que pela luta inevitavelmente caminhamos para o comunismo social (tanto é que a esquerda combatia e em muitos grupos da atualidade ainda combatem quem eles entendem como mentes pessimistas); é simplismente a analise dos principais acontecimentos históricos e políticos.
O que eu considero como exemplos de períodos de decadência política econômica, não são exatamente períodos onde não houve nenhum tipo de melhoria social. Mas sim períodos que se comparados a anteriores, o desenvolvimento técnico e o desenvolvimento das idéia e noção da política, sofreu uma decadência se comparado a períodos anteriores. (Ao invés de decadência política e econômica, alguns usariam a palavra retrocesso; mas evito isso porque pode levar as pessoas acharem que estou dizendo que a história voltou para trás; quando a história nunca volta para trás. Cada momento é um novo momento.)
A meu ver, o maior exemplo de decadência política e econômica, foi o feudalismo (um detalhe importante é que o feudalismo não se desenvolveu na Europa inteira e a história das sociedades humanas não é só a história da Europa. Uma das grandes limitações teóricas que temos, é não sabermos suficientemente bem história do mundo. Mas vou me deter aqui a falar um pouco do feudalismo, pois ajuda na elaboração e analise política que estou fazendo aqui.)
Entendo que os Estados gregos e o grande Estado romano eram muito mais evoluídos política e economicamente do que a sociedade feudal. Mas afinal, por que houve essa decadência política e econômica na Europa?
O grande Estado militar romano, tinha como política fundamental o imperialismo que invadia militarmente as sociedades vizinhas, assimilava elas, através da instalação parcial da cultura romana, o comércio com Roma e suas províncias ou colônias, a pilhagem e a pilhagem através do imposto romano. A base da política econômica de Roma era a expansão imperialista militar sobre as regiões vizinhas, também instalando sua economia nessas regiões. Inclusive, Roma passou a oferecer segurança militar a essas regiões que viviam em guerras com outros povos (o mundo sempre esteve em guerra). Roma entrou em decadência a partir do momento em que se tornando um Estado tão enorme, e com o crescimento populacional, tornou-se difícil, para não dizer impossível, administrar o grande Estado imperialista Romano. O processo de deterioração deste Estado iniciou-se; os povos dominados começam a revoltar-se contra o poder centralizado; os próprios romanos em crise social começam a revoltar-se; as civilizações bárbaras, ou conjunto de povos para além dos domínios romanos, começam a invadir a Europa, e assim instaura-se a anarquia na Europa.
Um detalhe muito importante sobre os modelos, é que a substituição de um modelo por outro ocorre a partir de uma transição que é lenta. Roma não deixou de existir do dia para noite (tanto é que a Roma oriental - Constantinopla - existiu ou coexistiu com o feudalismo, durante todo o período feudal). A Roma, "dona do mundo", foi paulatinamente perdendo sua hegemonia para o sistema feudal, que por sua vez, foi inicialmente uma forma improvisada que os povos acharam para lidar com a insegurança social e militar que se instaurou na Europa graças a deterioração do sistema romano.
O feudalismo tornou-se cultural ou ideológico em boa parte do território Europeu. Mas antes de ele se tornar a nova ideologia política econômica e cultural, o sistema feudal teve que se constituir, o que se deu através do processo em que os povos se fecharam em feudos e evitaram contatos externos, tornando-se autossuficientes economicamente dentro de cada feudo, foi a forma que a Europa encontrou para lidar com a situação critica que ela se encontrava. Então se tratava de pessoas querendo sobreviver e se proteger de uma situação critica instaurada. Alguns podem até dizer que para os povos nômades bárbaros, o feudalismo representou uma evolução, pois com eles houve a sedentarização destes povos e assimilação de parte da cultura romana. Povos que praticam a agricultura são melhores que povos que vivem apenas da coleta e pilhagem como eram os primitivos povos nômades? Acredito que sim. Mas essa não é a questão.
Uma sociedade evolui a partir do conhecimento acumulado em sucessivas gerações e percepção de melhores condições de convivência social. Na sociedade romana, ou na antiga civilização grega, tanto o desenvolvimento quanto a circulação de conhecimento, era muito mais provável (evidentemente, isso explica o grau de desenvolvimento que adquiriu essas civilizações). Já na sociedade feudal, isso era muito menos provável, devido ao fato de que a sociedade feudal era uma sociedade amedrontada, diante da crise que ela foi colocada no fim do império romano e em seguida a cultura que foi estabelecida do indivíduo se fechar para a salvação "alma" e negar as possibilidades do conhecimento científico e humano. Essa negação explica a grande durabilidade do sistema feudal (mil anos, ou quase isso). Junto com o isolamento, e a negação, nasceu a elite feudal, clero e nobreza, que trabalhava pela manutenção do feudalismo, ou dos feudos, pois é próprio da elite de qualquer época defender a manutenção do sistema estabelecido.
5 -
Em paralelo a decadência política e econômica que representou o feudalismo; no oriente médio por exemplo, ou na Asia, a circulação de idéias e conhecimento era bem significativa. Tanto que eles fizerem a revolucionária invenção dos números indoarábicos (ou do zero), e eles guardaram importantes obras literárias e filosóficas da antiguidade, que passaram a ser negadas pelo sistema feudal.
Outro exemplo de que as sociedades não caminham para o progresso; é em paralelo ao declínio do sistema feudal, que se deve ao surgimento dos Estados modernos, ao crescimento populacional, a crises sociais e ao florescimento da burguesia; em paralelo a isso tudo, iniciou-se um processo de decadência no oriente médio, que podemos dizer que se deve ao radicalismo religioso e centralização de uma ideologia religiosa que iniciou-se nessa região, mas, uma pergunta: A decadência política e econômica deve-se ao radicalismo religioso que nega o conhecimento humano, ou a radicalização e alienação religiosa que houve na Europa pós civilização Romana, e séculos depois no oriente médio, não seria na verdade um efeito da crise política e econômica, e incapacidade que houve na sociedade em saber formular uma proposta política econômica melhor que a que havia anteriormente e entrou em decadência; e possível? Eu tento a acreditar mais na segunda alternativa do que na primeira, embora acho que ambas se complementam.
6 -
Com o declínio do sistema feudal, e advento do mercantilismo; além da grande maioria do povo que era basicamente de camponeses, havia a coexistência de duas classes sociais: A aristocracia (representantes do velho modelo econômico em processo de deterioração) e a burguesia (representantes de um novo futuro modelo econômico que nem existia ainda.) Então o modelo mercantilista acho que pode ser chamado de modelo de coexistência da velha nobreza com a nova burguesia. Talvez também possa ser chamado de período transição do feudalismo para o capitalismo. Visto desse ângulo, qualquer modelo econômico pode ser visto como uma economia de transição; e por exemplo, o capitalismo seria uma possível transição do mercantilismo para um talvez possível socialismo ou outro tipo de modelo econômico. Só que eu acho mais fácil falar em transição histórica dentro do próprio modelo econômico para um novo modelo, do que dizer que o modelo inteiro é um modelo de transição.
Detalhe: Digo transição histórica porque essa transição tanto pode se dar para um modelo econômico melhor, quanto para uma decadência política e econômica.
A transição que se deu no mercantilismo, não se deu sem grandes conflitos entre burguesia e aristocracia, onde muitas vezes a população camponesa virou massa de manobra tanto de uns quanto de outros. A prova de que não existe uma transição automática, e de que ela pode nem acontecer, ou não acontecer como se deseja, é o fato de que o capitalismo não conseguiu se desenvolver em todas as partes do globo. O desenvolvimento do capitalismo se deve em muito ao florescimento dos Estados modernos europeus, pois onde o capitalismo demorou a se desenvolver, como Alemanha e Itália, foi onde o Estados modernos se desenvolveram mais tardiamente.
7 -
Enquanto uma parcela da esquerda erra utilizando alguns modos de luta política já superados, ou que se demonstraram historicamente ineficazes; uma outra parcela da esquerda caiu na idéia de que nada pode ser feito na atualidade porque o capitalismo "reina" supremo. O que esse segundo grupo diz é que o nível de alienação das pessoas pelo capital é tão intenso, que fica impraticável uma ação política, ou a formulação de novas propostas políticas a população. Até quem imagina não ser um alienado, por ter uma visão mais crítica e uma melhor percepção das relações do capital, é alienado porque todos temos que trabalhar para ganhar o pão de cada dia. E para quem ou o que trabalhamos? Para reprodução do capital que produz capital.
Eu concordo que o nível de alienação das pessoas é intenso, talvez o maior de toda a história do capitalismo, e concordo que todos trabalhamos para o capital.
Mas discordo que a ação política na atualidade é impraticável, e que essa é a razão da falta de ação de parcela da esquerda que de fato encontra-se inativa ou pouco ativa.
Na minha opinião a falta de ação dessa esquerda deve-se na verdade ao fato de que ela esta em transição. Os modelos de luta social que a esquerda acreditava serem o mais eficazes dentro do possível, como sindicatos e os partidos, todos se deterioraram. As tentativas de socialismo foram por água abaixo - ou por história abaixo - Naturalmente, os intelectuais de esquerda ficaram sem boas propostas para fazerem a população, pois eles não conseguem formular propostas nem para si próprios. Nem a si a próprios conseguem convencer, porque realmente não tem boas propostas. Essa esquerda tem muito em comum com a esquerda utópica que Karl Marx criticava dizendo ela é boa nas analises e critica que faz do sistema capitalista, mas ruim em formular propostas. Tem um excelente senso crítico, mas na parte construtiva, ou criativa, não são tão bons.
A razão principal da falta de ação dessa esquerda é ela estar num momento de transição. De revisão de conceitos; reformulação e construção de novas proposições.
8 -
Podem me chamar de utópico, ingênuo, vaidoso, idiota, mas eu me considero uma vanguarda dentro da esquerda. E ao contrário dos céticos, eu não tenho nenhuma dúvida de que nenhum período histórico possuiu tantas condições de ser transformada para melhor, como esse período possui. Pode até ser que não ocorra essas transformações, mas se isso ocorrer é porque teremos desperdiçado esse momento único na história (não único de única chance; mas único de raro momento com tantos fatores que podem ser utilizados para uma transformação da sociedade para algo melhor.)
Bem... Aqui faço uma pausa nas apresentação das minhas avaliações. Tenho que ir cuidar das minhas pimentas, comprar arroz feijão, namorar, etc. risos.
Até mais!
3 -
O capitalismo, uma vez que ele já fez pela sociedade em termos de melhorar e desenvolver a sociedade política e economicamente (pois quem estudou Marx sabe que o capitalismo, ou a revolução burguesa, são parte do processo revolucionário); ele passa a se manter na sociedade mais como um câncer do que como algo positivo a sociedade; e, evidentemente, ele precisa ser substituído.
Eu entendo que ficar esperando que o capitalismo chegue no seu estágio final (que é algo muito nebuloso, já que a gente não sabe sabe exatamente que momento será esse, ou está sendo esse), para aí substitui-lo por outro modelo melhor, é meio como ficar esperando uma doença tomar todo o corpo de um indivíduo, deixar o indivíduo quase morto, para aí resolver tratar o indivíduo. Aí já pode ser tarde demais.
Esse indivíduo doente que me refiro, não é o capitalismo. O indivíduo doente é a sociedade humana. O capitalismo é a estrutura que age sobre a sociedade, ou, a grosso modo, a doença.
Achar que o capitalismo vai terminar por si próprio, sem a ação política coletiva e também do indivíduo (pois o coletivo é uma junção de indivíduos, que cada um a seu tempo começa a tomar consciência de determinadas questões e paulatinamente esse entendimento espalha-se entre os indivíduos que por sua vez tornam-se um coletivo), é relegar a sociedade a uma decadência política econômica.
4 -
Um dos motivos pelos quais se torna evidente que a história não segue uma linha vertical em direção ao progresso, ou a linearidade determinista que os positivistas acreditavam, ou que uma parte da esquerda acreditava, que pela luta inevitavelmente caminhamos para o comunismo social (tanto é que a esquerda combatia e em muitos grupos da atualidade ainda combatem quem eles entendem como mentes pessimistas); é simplismente a analise dos principais acontecimentos históricos e políticos.
O que eu considero como exemplos de períodos de decadência política econômica, não são exatamente períodos onde não houve nenhum tipo de melhoria social. Mas sim períodos que se comparados a anteriores, o desenvolvimento técnico e o desenvolvimento das idéia e noção da política, sofreu uma decadência se comparado a períodos anteriores. (Ao invés de decadência política e econômica, alguns usariam a palavra retrocesso; mas evito isso porque pode levar as pessoas acharem que estou dizendo que a história voltou para trás; quando a história nunca volta para trás. Cada momento é um novo momento.)
A meu ver, o maior exemplo de decadência política e econômica, foi o feudalismo (um detalhe importante é que o feudalismo não se desenvolveu na Europa inteira e a história das sociedades humanas não é só a história da Europa. Uma das grandes limitações teóricas que temos, é não sabermos suficientemente bem história do mundo. Mas vou me deter aqui a falar um pouco do feudalismo, pois ajuda na elaboração e analise política que estou fazendo aqui.)
Entendo que os Estados gregos e o grande Estado romano eram muito mais evoluídos política e economicamente do que a sociedade feudal. Mas afinal, por que houve essa decadência política e econômica na Europa?
O grande Estado militar romano, tinha como política fundamental o imperialismo que invadia militarmente as sociedades vizinhas, assimilava elas, através da instalação parcial da cultura romana, o comércio com Roma e suas províncias ou colônias, a pilhagem e a pilhagem através do imposto romano. A base da política econômica de Roma era a expansão imperialista militar sobre as regiões vizinhas, também instalando sua economia nessas regiões. Inclusive, Roma passou a oferecer segurança militar a essas regiões que viviam em guerras com outros povos (o mundo sempre esteve em guerra). Roma entrou em decadência a partir do momento em que se tornando um Estado tão enorme, e com o crescimento populacional, tornou-se difícil, para não dizer impossível, administrar o grande Estado imperialista Romano. O processo de deterioração deste Estado iniciou-se; os povos dominados começam a revoltar-se contra o poder centralizado; os próprios romanos em crise social começam a revoltar-se; as civilizações bárbaras, ou conjunto de povos para além dos domínios romanos, começam a invadir a Europa, e assim instaura-se a anarquia na Europa.
Um detalhe muito importante sobre os modelos, é que a substituição de um modelo por outro ocorre a partir de uma transição que é lenta. Roma não deixou de existir do dia para noite (tanto é que a Roma oriental - Constantinopla - existiu ou coexistiu com o feudalismo, durante todo o período feudal). A Roma, "dona do mundo", foi paulatinamente perdendo sua hegemonia para o sistema feudal, que por sua vez, foi inicialmente uma forma improvisada que os povos acharam para lidar com a insegurança social e militar que se instaurou na Europa graças a deterioração do sistema romano.
O feudalismo tornou-se cultural ou ideológico em boa parte do território Europeu. Mas antes de ele se tornar a nova ideologia política econômica e cultural, o sistema feudal teve que se constituir, o que se deu através do processo em que os povos se fecharam em feudos e evitaram contatos externos, tornando-se autossuficientes economicamente dentro de cada feudo, foi a forma que a Europa encontrou para lidar com a situação critica que ela se encontrava. Então se tratava de pessoas querendo sobreviver e se proteger de uma situação critica instaurada. Alguns podem até dizer que para os povos nômades bárbaros, o feudalismo representou uma evolução, pois com eles houve a sedentarização destes povos e assimilação de parte da cultura romana. Povos que praticam a agricultura são melhores que povos que vivem apenas da coleta e pilhagem como eram os primitivos povos nômades? Acredito que sim. Mas essa não é a questão.
Uma sociedade evolui a partir do conhecimento acumulado em sucessivas gerações e percepção de melhores condições de convivência social. Na sociedade romana, ou na antiga civilização grega, tanto o desenvolvimento quanto a circulação de conhecimento, era muito mais provável (evidentemente, isso explica o grau de desenvolvimento que adquiriu essas civilizações). Já na sociedade feudal, isso era muito menos provável, devido ao fato de que a sociedade feudal era uma sociedade amedrontada, diante da crise que ela foi colocada no fim do império romano e em seguida a cultura que foi estabelecida do indivíduo se fechar para a salvação "alma" e negar as possibilidades do conhecimento científico e humano. Essa negação explica a grande durabilidade do sistema feudal (mil anos, ou quase isso). Junto com o isolamento, e a negação, nasceu a elite feudal, clero e nobreza, que trabalhava pela manutenção do feudalismo, ou dos feudos, pois é próprio da elite de qualquer época defender a manutenção do sistema estabelecido.
5 -
Em paralelo a decadência política e econômica que representou o feudalismo; no oriente médio por exemplo, ou na Asia, a circulação de idéias e conhecimento era bem significativa. Tanto que eles fizerem a revolucionária invenção dos números indoarábicos (ou do zero), e eles guardaram importantes obras literárias e filosóficas da antiguidade, que passaram a ser negadas pelo sistema feudal.
Outro exemplo de que as sociedades não caminham para o progresso; é em paralelo ao declínio do sistema feudal, que se deve ao surgimento dos Estados modernos, ao crescimento populacional, a crises sociais e ao florescimento da burguesia; em paralelo a isso tudo, iniciou-se um processo de decadência no oriente médio, que podemos dizer que se deve ao radicalismo religioso e centralização de uma ideologia religiosa que iniciou-se nessa região, mas, uma pergunta: A decadência política e econômica deve-se ao radicalismo religioso que nega o conhecimento humano, ou a radicalização e alienação religiosa que houve na Europa pós civilização Romana, e séculos depois no oriente médio, não seria na verdade um efeito da crise política e econômica, e incapacidade que houve na sociedade em saber formular uma proposta política econômica melhor que a que havia anteriormente e entrou em decadência; e possível? Eu tento a acreditar mais na segunda alternativa do que na primeira, embora acho que ambas se complementam.
6 -
Com o declínio do sistema feudal, e advento do mercantilismo; além da grande maioria do povo que era basicamente de camponeses, havia a coexistência de duas classes sociais: A aristocracia (representantes do velho modelo econômico em processo de deterioração) e a burguesia (representantes de um novo futuro modelo econômico que nem existia ainda.) Então o modelo mercantilista acho que pode ser chamado de modelo de coexistência da velha nobreza com a nova burguesia. Talvez também possa ser chamado de período transição do feudalismo para o capitalismo. Visto desse ângulo, qualquer modelo econômico pode ser visto como uma economia de transição; e por exemplo, o capitalismo seria uma possível transição do mercantilismo para um talvez possível socialismo ou outro tipo de modelo econômico. Só que eu acho mais fácil falar em transição histórica dentro do próprio modelo econômico para um novo modelo, do que dizer que o modelo inteiro é um modelo de transição.
Detalhe: Digo transição histórica porque essa transição tanto pode se dar para um modelo econômico melhor, quanto para uma decadência política e econômica.
A transição que se deu no mercantilismo, não se deu sem grandes conflitos entre burguesia e aristocracia, onde muitas vezes a população camponesa virou massa de manobra tanto de uns quanto de outros. A prova de que não existe uma transição automática, e de que ela pode nem acontecer, ou não acontecer como se deseja, é o fato de que o capitalismo não conseguiu se desenvolver em todas as partes do globo. O desenvolvimento do capitalismo se deve em muito ao florescimento dos Estados modernos europeus, pois onde o capitalismo demorou a se desenvolver, como Alemanha e Itália, foi onde o Estados modernos se desenvolveram mais tardiamente.
7 -
Enquanto uma parcela da esquerda erra utilizando alguns modos de luta política já superados, ou que se demonstraram historicamente ineficazes; uma outra parcela da esquerda caiu na idéia de que nada pode ser feito na atualidade porque o capitalismo "reina" supremo. O que esse segundo grupo diz é que o nível de alienação das pessoas pelo capital é tão intenso, que fica impraticável uma ação política, ou a formulação de novas propostas políticas a população. Até quem imagina não ser um alienado, por ter uma visão mais crítica e uma melhor percepção das relações do capital, é alienado porque todos temos que trabalhar para ganhar o pão de cada dia. E para quem ou o que trabalhamos? Para reprodução do capital que produz capital.
Eu concordo que o nível de alienação das pessoas é intenso, talvez o maior de toda a história do capitalismo, e concordo que todos trabalhamos para o capital.
Mas discordo que a ação política na atualidade é impraticável, e que essa é a razão da falta de ação de parcela da esquerda que de fato encontra-se inativa ou pouco ativa.
Na minha opinião a falta de ação dessa esquerda deve-se na verdade ao fato de que ela esta em transição. Os modelos de luta social que a esquerda acreditava serem o mais eficazes dentro do possível, como sindicatos e os partidos, todos se deterioraram. As tentativas de socialismo foram por água abaixo - ou por história abaixo - Naturalmente, os intelectuais de esquerda ficaram sem boas propostas para fazerem a população, pois eles não conseguem formular propostas nem para si próprios. Nem a si a próprios conseguem convencer, porque realmente não tem boas propostas. Essa esquerda tem muito em comum com a esquerda utópica que Karl Marx criticava dizendo ela é boa nas analises e critica que faz do sistema capitalista, mas ruim em formular propostas. Tem um excelente senso crítico, mas na parte construtiva, ou criativa, não são tão bons.
A razão principal da falta de ação dessa esquerda é ela estar num momento de transição. De revisão de conceitos; reformulação e construção de novas proposições.
8 -
Podem me chamar de utópico, ingênuo, vaidoso, idiota, mas eu me considero uma vanguarda dentro da esquerda. E ao contrário dos céticos, eu não tenho nenhuma dúvida de que nenhum período histórico possuiu tantas condições de ser transformada para melhor, como esse período possui. Pode até ser que não ocorra essas transformações, mas se isso ocorrer é porque teremos desperdiçado esse momento único na história (não único de única chance; mas único de raro momento com tantos fatores que podem ser utilizados para uma transformação da sociedade para algo melhor.)
Bem... Aqui faço uma pausa nas apresentação das minhas avaliações. Tenho que ir cuidar das minhas pimentas, comprar arroz feijão, namorar, etc. risos.
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