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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A identidade faz o público

  A identidade faz o público

  O público do título deste texto também ser chamado de platéia, leitores, ouvintes e consumidores do produto cultural.
  Em um programa da TV cultura, Metropoles, apresentado pela belissima Adriana Couto, a um tempo atrás, assisti um ceneastra - infelizmente não anotei o nome dele - dizer em entrevista que deveria haver uma lêi de limitação no espaço do número de salas exibindo filmes superbadalados - tipo: Piratas do Caribe, Crepusculo, Avatar, etc - para que nessa limitação aja mais espaço para os filmes menos comerciais. Penso que, claro que deve haver espaço para outros filmes, mas isso de criar uma lêi de limitação, não é censura ? Se por exemplo, eu tiver uma sala de cinema e nesta sala eu quiser exibir apenas filmes do Mazaropi, uma vez obtido a autorização para exibi-los, eu vou exibir apenas filmes do Mazaropi. Quem gostar, que venha veer. Quem não gostar, que se organizem para abrir salas que exibam filmes de seu gosto. (isso me parece muito melhor do que querer impor a obrigação dos outros satisfazerem gostos extéticos não satisfeitos).
  O cinema sofre o problema estrutural economico de ser uma arte que custa muito dinheiro (nem sempre). Os filmes mais baratos hoje, que conseguem obter uma certa notoriedade, não custam menos de um milhão de reais (as exceções são raríssimas). Com um milhão de reais eu faço minhas histórias em quadrinhos e não preciso mais trabalhar em nenhuma outra coisa pelo resto de minha vida!
  Pensando no grande mestre do cinema, Charles Chaplin, estranho como esse mestre, numa época de tantas precariedades nos meios de produção de um filme, mesmo assim ele produziu filmes belissimos, foi e é um gênio incomparável; e hoje, numa época de tanto desenvolvimento tecnológico, cameras digitais, universidades de cinema, fazer um filme custa tão caro e é tão dificil (mas não são as dificuldades que fazem um mestre em uma arte ?), talvez porque a industria de produção de filmes dos tempos de hoje, esteja viciada em formas que de alguma maneira acabam sugando, em termos financeiros, tudo que elas podem sugar (e um pouco mais). Dentro desta crise de ter que fazer dinheiro para fazer filmes, e fazer filmes para fazer dinheiro, o produtor cinematografico que quer fazer filmes que tenham notoriedade, ou que considere de melhor qualidade, não pode se dar ao luxo de fazer a arte dele como um hobb. Muitas vezes, contra a própria vontade, ele tem que agradar alguem que pague a conta dos filmes. Como sempre existem mais artistas querendo fazer uma arte do que existem formas de financiamento para elas, isso cria um dilema sobre o que é de qualidade em arte e o que não é (uma coisa tão relativa). A saida buscada por vários produtores cinematograficos é tornar-se sustentáveis fazendo filmes comerciais, para assim terem dinheiro para fazerem outros filmes que lhe derem na telha fazer (os filmes autorais). Por isso precisam das salas de cinema, e o que a principio considerei como censura, reconsidero da seguinte forma: A maioria dos proprietarios de salas de cinemas são capitalistas, e como tal, estão pouco se lixando para o conteúdo dos filmes que estão sendo exibidos e para o dos que não estão. O que manda é o dinheiro entrando na conta deles. Então será que esses opulentos shoppingscenters não poderiam abrir mais salas para exibir os filmes além dos megassucessos do momento ?  (claro que podem).
  Ficar limitado a uma discussão sobre salas de cinema, é ser demasiado reducionista (isso para dizer contraditorio, pois muitos criticam uma coisa que eles querem exatamente fazer parte). Enquanto uns poucos vão subir de classe social sendo aceitos, o restante vai passar os dias mendigando misérias do capital. Portanto, vamos além na discussão [ ... ]
  O cinema na atualidade, aqui em Brasolia, é entretenimento de exceção consumido consumido por alguns casais de namorados, estudantes e os habituados a ir de vez em quando no cinema. Digo de exceção, pois a maioria das pessoas prefere assistir filmes em DVDs no conforto de suas casas. A intelectualidade discute a idéia de criar-se uma cultura de ir ao cinema, educar as pessoas (eu tenho medo da palavra educar porque ela me lembra a palavra domesticar). Eu faço parte do grupo de pessoas que prefere veer filmes no DVD (de preferência deitado na cama com uma mulher pelada). Considero bastante nobre essa idéia de mostrar as pessoas que o programa de ir ao cinema é um programa bacana (porque é bom). Só que é algo nada simples, na correria da sociedade contemporanea, as pessoas não querem passar horas chatas e caras no transporte coletivo para chegar ao cinema (que pode não ser chato, mas é caro). Precisam haver salas de cinema nas periferias. Nas horas de tempo livre - breves horas - as pessoas querem fazer coisas que lhes deem satisfação - ver filmes não é a única coisa. Então o cinema não pode ser pensado, nem sem as salas, nem sem o acesso a DVDs para a população. Sobre os DVDs a acusação ira cair na industria de pirataria, mas se o Estado não consegue coibir a pirataria, os proprios originais dos filmes nacionais e produções autorais deveriam ser colocados para serem vendidos nas barraquinhas de camelôs com imposto zero (o Estado não tem o direito de cobrar imposto sobre um produto que é vendido majoritariamente pelo mercado pirata que vende sem impostos. Se digo isso em relação ao produto nacional e a filmes autorais, é porque estou cagando se o Brad Pitt, ou se o Vin Diesel vão ganhar menos dinheiro com os filmes deles sendo piratiados, pois dinheiro não é o problema deles. As barraquinhas de DVDs piratas deram acesso prático e barato ao meio de entretenimento que a população é carente. As pessoas precisam se divertir, ter os seus momentos de gozo. O intelectualismo arido criou meios de entretenimento que dão sono, não entretem. As barraquinhas de DVDs piratas fizeram uma revolução. Recentemente entramos na era da comunicação digítal. Talvez isso permita aos produtores cinematograficos vender filmes online e talvez seja o declineo das barraquinhas piratas. Mas a internet ainda não é tão prática quanto parece. Para te-la temos que pagar todo mês uma conta, e as contas só aumentam. Isso quer dizer pagar duas vezes - você paga pelo meio (a internet) e você vai pagar pelo conteúdo (no caso os filmes). O DVD nos pagamos quando podemos e quando queremos. Além disso, na forma dele compramos filmes e podemos emprestar filmes um ao outro; essa troca entre amigos é grátis. Isso faz do DVD o melhor meio para se assistir filmes.
  Voltemos a questão sobre as salas de cinema. Digamos que se crie cotas de exibição de filmes, que não sejam os megassucessos do momento, nas salas de cinemas. Isso também aumenta a venda de DVDs dos mesmos, afinal eles teram mais publicidade  (o que não quer dizer que passaram a ser populares). Atualmente você vai ao cinema vee alguns salas com grandes filas e outras com uns gatos pingados. O proprietario do cinema irá perguntar se o Estado vai arcar com os prejuizos - o que significa transferir os prejuizos para nós pagarmos. Tirar dinheiro da saúde, da educação, da própria cultura, etc, para pagar essa conta. Caso o prejuizo seja pequeno, ele entra dentro do custo permissivel. Se não prejuizo, nem lucro, entra no custo. Se o prejuizo for grande, as salas de cinema voltarão a ser um mau negócio - como a tempos atraz que elas viraram igrejas evangelicas, e vão fechar.
  Os idealistas (nada materialistas) enxergam o problema com a idéía de que o povo será educado e passara a gostar de art  "cult" (cult é uma puta duma viadagem). O que eles não notam, é que as pessoas, sejam intelectuais ou não sejam costumam interessar-se por coisas que elas sentem-se identificadas. E não estou falando em identidade de igualdade social; estou falando em indentidade de personalidade. O povo não intelectual possui uma inteligência empírica e vertical (que sobe e desce, tendendo a gostar mais do épico e do conflito folhetinesco). Os cultos são bastante influênciaveis por idéias, e um filme, aparentemente, parado, para ele não é. Para ele é um horizonte de possibilidades acontecendo isoladas e ao mesmo tempo, uma sobre as outras. Os filmes feitos por intelectuais costuma ser intelectuais, ou ter a personalidade intelectual. Alguns entre eles, tentam buscar a identidade do povo na igualdade social; nisso constrem histórias com motoristas, jardineiros, garis, domésticas, mas fracassam na busca da identidade (não estou nem falando da beleza ou não beleza destes filmes), porque a personalidade continua sendo horizontal. Os poucos intelectuais que irão notar isso, farão belos filmes populares.
  Então o que vai fazer as pessoas quererem ver certas artes é a indentidade de personalidade - é claro que nós somos variaveis entre essas personalidades, só que possuir uma mente aberta não fechando a arte a um intelectualismo, nem fechando diante dele. É estar num fluxo permanente.
  É preciso termos nossas mentes abertas para sabermos encontrar a identidade das identidades. O humano.







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