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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Futilidades importantes

  Futilidades importantes


  Não existe nada que seja fútil e que também não seja importante. Foi essa a idéia que me venho a cabeça quando ouvi um amigo que tem facebook, criticar as pessoas que usam o facebook para escrever futilidades.
  Tenho um facebook que uso de vez em quando como e-mail (embora eu use mais o e-mail tradicional) e como MSN (isso é mais raro ainda; mas as vezes acontece, quando eu abro facebook, de encontrar algum conhecido online e trocar algumas idéias). Agora, ficar lendo as minicrônicas do facebook ou do twitter, sem chances (eu estou me esforçando para terminar de ler nove livros que comecei a ler e não terminei - para poder ler outros livros que desejo ler - onde vou arrumar tempo para ler o facebook?) Mas meu eu tem um natural de rebelar-se contra os senhores da seriedade, moral e ideologias de pedra. Isso porque minha ideologia é: Tomar leite é necessário! (artigo patrocinado pela Itambé. Brincadeira, rs).
  Deixa eu falar um pouco de futilidades ... Conheci um homem - um autodi-data - ele aprendeu a ler sem  ir a escola e considera que a melhor escola do homem é mundo. Como caminhoneiro ele já cruzou o país de leste a oeste, norte sul, conheceu paraguaios, bolivianos e argentinos. Este homem fazia uma hora diária de exercícios físicos (isso quando o trabalho de ajudar a car-regar o caminhão e descarregar o mesmo não era o próprio exercício físico). Para quê ? Para ficar com músculos (que coisa mais fútil). Um dia sentado tomando uma cerveja, ele veio até mim e disse: ´´eu sei que você me julga um tolo por essa vaidade dos músculos ...``. Eu, falsamente, não querendo arrumar treta com o Sylvester Stallone, disse:´´Não! Eu julgo não!``. Ele rio e continuou como se nada eu tivesse dito: ´´... mas uma coisa eu lher digo: vocês que não tem músculos não sabem o que é ter uma mulher agarrada em seus ombros, com a cabecinha encostada no seu peito, a dizer-lhe: ´ Oh! Meu protetor! Meu Conan! `. Vocês não fazem idéia de como isso é bom ``. Depois de ouvir essas palavras sábias do caminhoneiro, virei fã dele. Hoje faço uma hora diária de exercícios físicos (menos nos dias que dá preguiça e nos que falta tempo - Ah! Gostaria de ser como os gatos que tem sete vidas para poder fazer uma coisa em cada vida).
A tempos atrás vinha uma mulher em casa (parente vindo visitar parentes e conversar sobre banalidades do cotidiano). Ela falava com um ar simplório de coisas do tipo: sobre o marido ter gostado ou não do jantar, sobre a roupa que estava usando e a roupa das filhas, sobre o regime alimentar que ela estava fazendo. Quando lhe ofereciam comida, ela dizia que não porque estava de regime (estranho, porque eu sempre via ela do mesmo tamanho - nem muito gorda, nem muito magra). E  sobre o trabalho que fulano ou sicrana ar- rumou, sobre a demissão que fulano ou sicrana pediu, sobre o que uma vizinha disse de outra vizinha, etc. Um amontoado de futilidades, sem jamais aprofundar-se em nada, que me levou a considerar essa mulher a criatura mais nauseabunda do planeta (ganha da Adriane Galisteu).
  Recentemente, assistindo o ator Pedro Cardoso descer pau na mídia de fofo-cas que faz da vida particular de celebridades um produto de consumo capitalista e sobre como essa mídia fatura altos valores com a fofocaida e mentirada sobre a vida intima dessas pessoas, sendo que quem fica com a bomba de serem condenados por esse tipo de jornalismo não são os proprietá-rios da coisa, são os empregados, freelances; os larajas da história. Isso me levou a fazer uma comparação: qual é a diferença entre a mulher nauseabunda e a mídia de fofocas? Há alguma diferença? Evidentemente o tema da mídia citada é a vida de famosos, enquanto o da mulher nauseabunda é a vida dela e das pessoas a volta dela. Só que, em termos de conteúdo, essencialidades, há diferenças? Nenhuma. O que me leva a consideração de que a mídia de celebridades e a mulher nausebunda são os mesmo, mas não nos mesmos ambientes. É a mesma personagem (mulher nauseabunda) atuando em diferen-tes contextos.
  Oras! O fútil também é atraente. O fútil com arte possui um nome - vão me xingar - o nome é: literatura. Literatura é a arte de dizer coisas fúteis. O que os grandes autores sabem fazer é usar isso para chegar nos confins do espírito humano - nas vísceras de nossas almas - de forma mais interessante e com mais eficiência do que a filosofia (que é a literatura das coisas não fúteis). Engraçado ... A arte das coisas fúteis e a literatura das coisas não fúteis ...
  A diferença entre a mulher nauseabunda e a literatura (a mulher cheia de encantos e mistérios) é que em uma olhamos para as coisas fúteis e não vemos nada alem de coisas fúteis. Na outra olhamos para as coisas fúteis e enxerga-mos através delas - através de um copo de cerveja, através de muros de tijolo, atravez do som e fumaça dos banhos de chuveiro, atravez de calças jens cola-das, de vestidos barrocos - através do mundo.
  Bem ... Acho que esse texto é de um egoísmo gritante (risos)
  Agora eu abro meu celular Motorola e vou jogar o joguinho.

  Apêndice
 
  Claro que mesmo a imprensa de fuxicagem sendo uma merda, isso não quer dizer de forma alguma que ela deva ser censurada. Censura é a arma dos covardes. Podem sim levar uns processinhos e dar direito de resposta quando dizem mentiras - isso sem dúvidas. Mas censura, jamais. Aliás a imprensa de fuxicagem também tem suas qualidades. Eu cito duas qualidades exuberantes: Rita Batista e a lorinha da Rede TV (Ah! Que gostosas!)
  Eu falei mal dessa imprensa, mas eles fazem perguntas inofensivas (per-guntam quem você está comendo, para quem está dando ... ). Responde quem quer. Alguns artistas fazem uma troca inteligente, tipo: uma foto ou uma resposta por algo que queiramos dizer ou divulgar.
  John Lennon usou o casamento dele com a Yoko Ono para fazer uma importante manifestação pela paz.
  Os artistas de hoje parece que são burros.
 
 

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