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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A reinstitucionalização do racismo


  A reinstitucionalização do racismo

  Olá meus caros leitores deste artigo que vós envio por e-mail!
  Sou um rapaz de 28 anos, habitante da periferia do Jardim Brasil, minha famlia pertence a chamada classe proletária - alguns dizem familia de origem humilde; mas como somos bem convencidos, sem chances (risos) - Minha cor de pele natural é o moreno - ou pardo.
  Uma vez em um debate acalorado sobre questões de cor de pele, um descontente com eu ter dito que sou moreno (porque na cabeça dele eu tinha que afirmar peremptóriamente ser negro), disse que nessa idéia eu estava tentando me embranquear - se eu quisesse me embranquear, eu tomava um bom banho de cal (risos). Eu sabia que éra e que sou moreno, mas nunca tinha parado para refletir a fundo essa questão. Existencialista que sou, inconscientemente eu já menosprezava a idéia de querer aculturar as pessoas pela cor de pele; pois humanos são humanos. Dane-se a cor. Mas não teve jeito - Tive que refletir a questão; o que foi ótimo - Gostei dos resultados que essa reflexão me levou.
  Antes de tudo, eu digo que sou moreno porque essa é a cor que vejo quando me olho no espelho. Se eu enxergasse, por exemplo, verde limão, eu diria que sou verde limão. Se a cor vista fosse cáqui, eu diria que sou cáqui - e chocolate, porque chocolate é mais gostoso (risos). Mas a cor que vejo é o moreno - assim como vejo a cor negro quando olho para meu amigo Jazon, para o Pelé, ou para a ex-reporter do fantástico, Glória Maria - Derrepenti querem moralizar a idéia de cor (o que é ridículo) e nós não podemos mais dizer a cor vemos, caso não esteja de acordo com a "moral".
  Depois de chegar a essa primeira conclusão, para pensar o porquê de eu ser moreno, continuei em minhas reflexões ...
  Eu não sou moreno bronzeado; nasci moreno. Então isso tem haver com minha ascendência (herança genética de meus pais avós). Meus pais, por parte de pai, são brancos. Por parte de mãe são negros. Misturou preto com branco, deu moreno. Idéia que aliás faz lembrar-me de uma bebida bastante popular - pelo menos aqui no sudeste - No caso, o café-com-leite  (que alguns chamam pelo apelido de pingado). Essa bebida é uma mistura de duas bebidas: o café e o leite. Da mistura nasce uma uma nova bebida - que não chamamos apenas de café, nem apenas de leite; nós a chamamos de café-com-leite, pois é uma mistura, merece o nome composto, ou um outro nome. Então pelas características
dos meus traços, somodas ao meu tom de pele, é notável que sou uma mistura de negro com brancos. Isso não esta apenas no meu DNA. Isso é visivelmente notável. O que me levou a conclusão: é uma manifestação de ignorância querer que uma pessoa intitule-se preto ou branco sem ser nenhum dos dois (ou sendo ambos). Se eu digo que sou branco, eu estou sendo leviano e preconceituoso com a parte negra de minha familia. Se eu digo que sou preto, estou sendo leviano e preconceituoso com a parte branca de minha familia. Portanto - eu  SOU  moreno e não me encham o saco.
  Esse tema das cores, matizes, ascendência e descendência, são as preliminares que uso para falar da questão das cotas raciais em universidades - e de como não basta apenas ter boas intenções para se fazer políticas socias afirmativas. Além de boas intenções, é necessario também uma outra coisa. Inteligência.
  A sociedade brasileira é uma sociedade racista. O racismo no Brasil impera, principalmente sob a forma economica. Boa parte da população negra, indigena e mestiça em nosso país, são familias com poucos recursos economicos. Isso deve-se a herança histórica de essas pessoas terem sido saqueadas, sequestradas, excravizadas e sofrido uma série de crueldades cometidas pelos Estados europeus mercantilistas e pré-capitalistas, todos sedentos por tornar-se donos do mundo a qualquer custo. De lá para cá, as sociedades que já existiam e as recem sociedades fundadas (como por exemplo a nossa) passaram por uma série de transformações em suas bases. Embora o racismo infelizmente ainda esteja presente em muitas destas sociedades, o racismo institucionalizado tornou-se algo abominável. Com essas transformações, o mundo passou da escravidão racial para a escravidão monetária. O fato é que um trabalhador branco, de uma familia branca de renda baixa, é tão excravo das condições economicas atuais, quanto um negro de familia de renda baixa. Inconformados, os que sabem falar apenas do negro e do branco, dirão: "O negro pobre sofre mais que o branco pobre! A policia, por exemplo, é mais agressiva com os negros do que com os brancos!" Isso nem precisam me dizer. Uma vez fui preso por roubo de livros e conheci a violência da policia. Mas porque a policia, ainda sob influência de um ex-Estado militar e autoritario, é mais ignorante com negros e pardos, isso quer dizer dizer que os brancos pobres tem que ser punidos ? Eles estudantes de escolas públicas tem que concorrer com estudantes de escolas particulares pelo fato de terem nascidos brancos ? Tem que serem excluídos ? Me respondam: que porcária de argumento ridículo é esse que vocês punem um determinado grupo de pessoas pelos atos de um outro determinado grupo de pessoas ? Hum ?
  Os brancos pobres, assim como os negros pobres, também morrem em filas de hospitais, também moram em areas de risco, com baixo ou zero saneamento básico, também muitos jovens brancos, por falta de oportunidades e educação, caem no nefasto mundo das drogas e também sofrem para passar em vestibulares e concursos públicos quando conseguem passar. A Mariana, uma vizinha loirinha de cabelos cacheados, que quer estudar psicologia, esforçada nos estudos, filha de empregada doméstica que criou os filhos sozinha, tem a mesma dificuldade que eu para passar em mu vestibular. Só que agora a dific-dade dela é muito maior; isso porque eu tenho cotas e ela não tem (então ser esforçado no nosso país não significa nada). Os apoiadores das cotas raciais em universidades, apoiam isso. Uns apoiam porque de fato são racistas; acham que pelo simples fato de uma pessoa ser branca, ela tem que sofrer essa punição. Outros porque querem ser beneficiados, não interessa que jeito. E uns terceiros por pura ignorância de pensarem estar apoiando uma proposta antiracista, quando a verdade é o oposto. As cotas raciais são racistas. O detalhe é que existe uma forma inteligente de combater a segregação economica e racial. A forma inteligente é fazer com que no mínimo 50% das vagas em universidades públicas sejam para estudantes de escolas públicas e estudantes que venham de familias de renda baixa, independente de cor de pele, peso, altura, se é careca, se é cabeludo, albino, etc. Sem segregacionismo, pois isso é uma reinstitucio-nalização do racismo. Em contrapartida, a lei de cotas racias em universidades criam duas magoas. Uma magoa são nas pessoas excluidas que não podem pagar por uma segunda alternativa (da magoa a hostilidade é uma passo bem curto). A outra magoa é naqueles que vão ter que ouvir que entraram na universidade por causa da lêi de cotas, como se determinados individuos não tivessem capacidade intelectual de passar em um vestibular simplismente por serem de uma cor (isso é muito racista). Esse é tipo de lêi maldita que além de não resolverem os problemas raciais, tem uma grande propensão de criar rixas entre pessoas de cor diferente num nivel que não existe em nosso país.
  A gente não tem que defender politicas racistas disfarçadas de iniciativas sociais. A gente tem que defender propostas socio-afirmativas inteligetes.

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