O troca-troca político
No momento em que notei a troca de papéis ocorrida na política brasileira nos últimos tempos, fiquei estupefato com o movimento dela.
O partido social democrata do Brasil (PSDB) surgiu com a proposta de ser um partido de centro-esquerda; seus nomes badalados, fundadores, José Serra, na época da ditadura militar chegou a ser presidente da UNE, teve que fugir do país em porta-mala de carro. FHC participou ativamente de estudos de grupos marxistas, foi aluno de Florestan Fernandes, etc. Mario Covas chegou a fazer aliança com o PT no segundo turno contra Maluf (hoje PT e Maluf fazem aliança). O PSDB foi, ou dizia ser, um partido com a proposta de ser um negociador entre os vários setores que formam a sociedade brasileira; buscar melhorar a qualidade de vida do povo sem ir para o radicalismo da extrema esquerda. O PT (partido dos trabalhadores) não chegava a ser um partido de centro-esquerda, mas também não éra de extrema; digamos que éra um meio termo entre esses dois. No movimento que a politica foi tomando, o PSDB tornou-se neo-liberal - de negociante social passou para representante da burguesia - O partido dos trabalhadores manteve sua proposta ideologica sendo derrotado em três eleições presidenciais seguidas; no momento que ele vai conseguir finalmente eleger o primeiro presidente de esquerda da história recente da república, nesse momento o partido já tiverá feito uma serie de acordos de pagamentos das dividas aos agiotagem internacional que vive as custas das desgraças do povo, de não estatizar empresas nacionais entregues de mão beijada ao capital privado; o PT já havia se tornado o novo partido social-democrata do Brasil (disso não entendo as viuvinhas do Lula que choram e o acusam de não ter feito a utopica e desejada revolução). Então disseram: os incomodados que se mudem do PT! E eles mudaram; fundaram o PSOL.
Nesse movimento de o PT se tornar hoje algo próximo do que foi o PSDB de ontem, ou próximo do ideário tucano, o PSDB tornar-se neoliberal, o PSOL nascer para tentar ser algo próximo do que foi o PT de outrora (porém, sem um décimo das forças de base que tinha o PT e ainda o tem), a pergunta que fica é: será que o PSOL de amanhã, nesse movimento, não tornara-se o PT de hoje, o PT de hoje o PSDB de amanhã (mais provavelmente um PMDB) ? E o PT ainda merece ser chamado de partido de esquerda ? Evidentemente a história não é determinista, há várias possibilidades, esse texto de analise do futuro por sí já é um interferência no mesmo. Bem ... Seja lá em que partidos estiveres ou não estiveres, estamos carentes de bons políticos.
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