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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Esquerda moralista ou moralismo religioso?

Esquerda moralista ou moralismo religioso?

  Olá cinco ou seis pessoas que abriram esse e-mail e duas ou três pessoas que vão ler esse artigo até o final! (risos)
  De alguma maneira eu sinto que esse dialogo meu é um dialogo com o Nada, e o nada diz para mim: <<Oras! Por que fala do mundo a mim, se o mundo pouco me importa?>> E eu respondo: <<Eu devo estar bêbado ou talvez há algum motivo misterioso que não revelarei para assim deixar no ar um clima de suspense.>> (o que será?)
  Recentemente fiquei sabendo através dos telejornais que a cantora Paula Fernandes declarou ser espírita, ou adepta da fé no espiritismo. Aí um determinado grupo de uma religião evangélica manifestou-se dizendo para os freqüentadores da igreja deles começarem a fazer um boicote a Paula Fernandes (por uma questão de religião). Isso me fez pensar ... Imaginem se pessoas que não são evangélicas, dissessem a outras, que também não são, para iniciarmos um boicote aos evangélicos. Por exemplo, os donos da padaria X são evangélicos?! Não vamos comprar pão deles! Aquela dona de casa que faz bordados para vender e melhorar a renda da família dela é evangélica?! Não vamos comprar os bordados dela! A professora de português dos nossos filhos é evangélica?! vamos exigir a substituição dela por uma outra professora! Etc. É exatamente isso que um grupo de religiosos fundamentalistas propuseram com a Paula - marginalizar ela - Fazer musica é o ganha pão dela (e boa musica). Estamos em pleno século XXI e infelizmente ainda há muitas pessoas com mentalidade medieval - se esforçando para fazer as sociedades voltarem para uma época de intolerância religiosa e filosófica.
  Mas a confusão não fica só nisso. Vamos ao conflito da moda:
  Um determinado grupo de pastores evangélicos afirma como uma verdade “absoluta” que os gays não são de Deus, ou, não estão do caminho do “bem” divino (seja lá o queira dizer esse tal “bem”). Por conta desta visão de pecado cometido contra os dogmas morais da bíblia, eles passam a ter um discurso no sentido de que deve se curar estes pecadores, etc. Por outro lado, um determinado grupo gays, organizados em partidos, associações, levantam-se revoltados (ou tadas) pedindo a censura desse tipo de fala dos pastores e a criminalização de quem fala. Inclusive, lii que um pastor foi preso na Noruega recentemente por fazer esse discurso religioso que ele considera certo, e que gays e defensores dos direitos humanos consideram, com toda razão, preconceituoso. Mas ... Não pude deixar dizer a uns colegas: <<Oras! Numa sociedade democrática o pastor deve ter todo o direito de dizer que os gays são uns endemoniados; assim como eu quero ter todo o direito de dizer que o tal pastor é um imbecil>>. No entanto, noto que em nome de “ideais” morais que sejam tidos como politicamente corretos, a democracia está sendo menosprezada. Uma sociedade onde as pessoas brigam para impor o que consideram certo, é uma sociedade de intolerância, e talvez estejamos ... As beiras de uma Fahrenheit 451.
  Temos de um lado os religiosos fundamentalistas, com seus dogmas baseados em alguma doutrina mítica, que não são discutíveis nem questionáveis do ponto de vista deles, pois eles os entendem como a “grande verdade”. Do outro lado se posiciona uma esquerda que coloca-se como os “heróis” defensores dos fracos e oprimidos, dos negros, das mulheres, dos gays, dos golfinhos, etc. Eles são, por exemplo, contra canções importantes da cultura popular, como: atirei o pau no gato, boi da cara preta, samba lê lê. Tanto um grupo quanto outro coloca o adversário como o “vilão” e colocam-se como os “heróis”. É incrível e ao mesmo tempo perturbador observa-los e perceber o quanto eles são iguais. Eles, mesmo com as diferenças, são moralistas e possuem uma baixa capacidade de notar o quanto o ser humano possui uma imensa multiplicidade. E tanto essa esquerda quanto os fundamentalistas religiosos, são uns neuróticos doentios que não admitem de maneira alguma que seus dogmas sejam colocados em questão - a ironia, o sarcasmo, o humor e a individualidade são vistas por eles como sacrilégios imperdoáveis; profanações do divino de cada um deles. - Ah! ... Se eles se soubessem que o gato do atirei uma paulado no gato não é um gato de verdade ... é um gato de ficção, que pode morrer e nascer de volta mil vezes ... pobre das almas que julgam moralmente a ficção ... São muito pobres.
  Se dessa guerra os vencedores forem os fundamentalistas religiosos, estes irão implantar uma ditadura religiosa de segregar as pessoas que tem outra religião, ou religião nenhuma, numa fobia assassina ao diferente, de alguma forma silenciar tudo que não estiver conforme a fé deles. Por outro lado, se os vencedores forem a esquerda moralista, estes irão com a desculpa de serem os defensores do “povo”, perseguir toda a oposição, e a mais mínima discordância deles vira atitude contrarevolucionaria, diante dos dogmas deles, e razão para eles punirem quem tiver tal atitude. De qualquer forma, qualquer um dos dois que vencer, nós estamos ferrados. O jeito é torcer para ninguém vencer.

  Talvez o tempo melhor seja o tempo do meio.

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